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De Mulher
para Mulher
Por: Eugénie de Franval

A
IMPORTÂNCIA DO “REGRA TRÊS” NA VIDA DA MULHER MODERNA
São crescentes as queixas que
nos chegam,
sejam através de
e-mails ou mesmo por intermédio de conversas entre amigas, das mulheres
assustadas com o fato de que, apesar de amar o companheiro com quem vivem, não
conseguem evitar a queda gradual da temperatura de seus relacionamentos íntimos.
Com efeito, passada a
fase da fantasia, ou seja, da ilusão, da descoberta do macho que julgávamos o
máximo, o definitivo, invariavelmente, às vezes até sem perceber, vamos entrando
em diferentes estágios pouco interessantes de nossa união, que pode variar,
desde a indiferença até a limites insuportáveis, como o asco, a repulsa ou mesmo
o ódio em casos extremos, dependendo do grau do desapego ou do desinteresse que
criamos do nosso consorte.
O fato é que não podemos
esquecer nunca que uma coisa é
certa, universal, invariável: não há relacionamento humano que resista a
convivência ou ao hábito. As parcerias mais estáveis e gratificantes são as
fortuitas, descomprometidas, e assim mesmo em condições especialíssimas...
Por mais que se possa
querer ser "direitinha", que se faça tudo para evitar a procura de prazeres em
alcovas outras, que se esforce para preservar o tesão aceso para um único
companheiro, marido ou seja lá o que for, nunca vamos conseguir manter aquele
incêndio do início do relacionamento "ad eterno", dada a problemática natural
advinda da união estável entre um homem e uma mulher, cuja conotação já cheira
mais a um vínculo obrigacional do que outra coisa.
Sobretudo porque sexo
para ser prazeroso, tal como o fogo, precisa de lenha, de ingredientes que o
estimulem, o vivifique constante e ininterruptamente. Precisa de mistério, de
emoções, de fantasia. Daí, a impossibilidade prática de estarmos amarradas a um
homem e a suas mazelas, se queremos ter uma vida sexual sem maiores frustrações.
Marido é marido...
Depois de certo tempo, é a pessoa com o qual se divide, além da cama, as
despesas e principalmente os aborrecimentos, o tédio, as chatices e ponto
final... Quando muito, dá-se uma do tipo "papai e mamãe" e olhe lá.
Já com
o “regra três”, ao contrário, o esquema é outro... É aquele despojado, que não
está nem aí para os problemas e para o qual está sempre tudo bem, pois de outra coisa
não quer saber a não ser do sexo pelo sexo, da volúpia de nos amar apaixonadamente
naquele encontro fugaz, inconseqüente, gostoso. Só quem viveu ou ainda vive um amor louco dessa natureza
pode entender a intensidade e a verdade de tal paixão...
Para ele, nada
importa, nada preocupa a não ser inundar-nos cada vez mais de prazer. Seu compromisso é
somente com nosso corpo e os nossos orgasmos. Realizam-se e sentem-se
gratificados, felizes e realizados tão somente em nos dar o máximo possível de
prazer, em levar-nos a incursões ao infinito... E aí, praticamente se esgota sua função.
Dali para frente o problema é nosso.
A única coisa que nos
interessa em relação a esse homem, é sua capacidade de nos renovar, de nos conduzir
as nuvens, de realizar nossas fantasias e de nos saciar, emprestando momentos
inesquecíveis de felicidade naqueles breves, despudorados e furtivos encontros. Nada
de maiores envolvimentos, de promessas, de fidelidade ou compromissos outros.
Graças a essa absoluta
ausência de acordos ou obrigações é que tal relação tende a ser duradoura e,
mais ainda, tem a vantagem de se desfazer com um simples "tchau", sem deixar
maiores seqüelas. Com ele, temos sempre a opção de, ao menor desconforto,
partirmos para outro sem arrependimentos nem remorsos...
O fundamental mesmo é não
complicar, procurar manter nosso sacrossanto lar em paz e harmonia, e ao mesmo tempo
nossa vida íntima sem atropelos.
É muito importante também que você não se sinta culpada por tal comportamento, e muito menos ainda,
que não
fique procurando saber muito da vida do seu marido, pois é muito provável também que
ele tenha suas compensações em lençóis outros que não os seus... C'est la vie!
Eugénie.
Eugénie de Franval é
antropóloga e psicóloga com PhD na Sorbonne - France (1986/1997).
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